O jornal O CAXIENSE segue em ritmo de aniversário e continua com seus sorteios no Twitter. A editora Modelo de Nuvem oferece para os leitores do jornal dois exemplares do livro Fim das coisas velhas, de Marco de Menezes, finalista do Prêmio Açorianos de Literatura 2010.
Para concorrer, basta seguir O CAXIENSE no Twitter e dar RT no post da promoção.

Leia abaixo resenha do livro publicada na versão impressa:
Fim das Coisas Velhas | por Paula Sperb
Não confie na tentativa de explicar um poema
A figura de Alberto Caeiro tomando um mate é perfeitamente possível após a leitura das 96 páginas de primorosa poesia de Marco de Menezes em Fim das coisas velhas. O heterônimo de Fernando Pessoa conversa em harmonia com o poeta que se lê nas páginas do livro da editora Modelo de Nuvem.
Principalmente nos poemas que flaneam sobre a natureza dos pampas. No cenário urbano, outra pessoa do escritor português se identifica melhor com Menezes. É Álvaro de Campos surpreendido pela modernidade. Mas Marco de Menezes tem algo que Álvaro de Campos não possui: uma serenidade de quem veio do interior, mora na cidade e entende as coisas como elas são, sem pressa.
Essa dicotomia tratada na poesia regionalista (universal!) entre campo e cidade aparece também no livro através das diferenças entre Uruguaiana e Caxias do Sul, passado e presente. A natureza sulista presente em alguns poemas lembra muito Augusto Meyer de Poesias (1924-1925) quando faz uso da imagem dos chorões (árvores) tocando a água. Ao usar datas (Maio de 32, Velha na janela 2009), endereços (Arquíloco do Pio X, Rua Santana, 1890) e referências culturais pessoais (Corto Maltese, Stan Lee, Roberto Bolaño, Andy Kaufman), sente-se incorporado um Tyrteu Rocha Vianna, como em Saco de Viagem, que surge nos poemas mais curtos.
Há também um certo romantismo, como não, na poesia de Marco. Uma figura feminina delicada, curvilínea, angelical, etérea que flutua – quase é possível ouvir sua voz – entre as quatro divisões do livro: Torvelinho, Os pátios, Como um peixe de parede, Ítaca, Itaqui. Marco de Menezes segue o pensamento do crítico Ezra Pound, em A arte da poesia, quando busca a “palavra exata”. Rizoma,bólido, plâncton, falésia são palavras usadas, entre tantas outras, que exprimem o significado preciso sem metáforas. Ainda com Ezra Pound, o “objeto natural” é o símbolo perfeito, afinal. Até plantas e objetos ultrapassam sua condição através da vontade – a força que move os seres vivos em direção à sobrevivência como explicaria Max Scheler em sua filosofia antropológica.
“uma planta há que
não sabe que é planta
posto que inclina
algumas folhas
sobre a mesa e
bica a mesa
(que afinal é uma mesa que ignora ser mesa
e pensa ser rio)
toca com a ponta de suas folhas
a madeira da mesa
esta planta se pensa
um flamingo.”
Temos que concordar com T. S. Eliot e não confiar na tentativa de explicar um poema. Por isso, leia Fim das coisas velhas, com destaque para o poema que leva dá nome ao livro.